
Não desejo Apolo e sua simetria absoluta... Apenas desejo!
Ser egoísta me obriga a permanecer no desejo. Sentir falta de um carinho ou de uma conversa fiada sobre como transcorreu o dia, mas um carinho recíproco ou uma conversa que, embora seja fiada, demonstre um real interesse.
O difícil é encontra algo semelhante quando se quer mais receber do que se doar. Sentir falta de uma dança, de uma praia à noite, de uma bebida forte, de um cigarro, de uma voz mais grave ou de um sussurro.
A parte complicada é o desejo, ou melhor, a oscilação dele. Esse transtorno oscilatório que me diz a hora de sentir saudade, uma saudade incontrolável que me faz dirigir tarde da noite só pra ouvir um tímbre se quer de voz. Transtorno que me faz, por outra hora, sentir repulsa pelo simples cruzar do olhar.
Ahh, meu olhar... Ele não traduz exatamente o que eu penso ou desejo, ele é traiçoeiro e malévolo, traduz apenas meu instinto, aquele que grita por uma defesa e uma indiferença.
Porém, mesmo não desejando Apolo, desejo o desejo contínuo, desejo o olhar despreocupado e sem as armas que conquistei em outras batalhas.
Desejo não querer fugir e muito menos ter que sentir saudades.
P.S.: Texto escrito em plena aula de Laboratório de Estética... Uma incontrolável vontade de escrever me veio imediatamente após ver a imagem do Deus Apolo!!!! Texto inacabado, diga-se de passagem!!!!
